Todas as ideias geniais pareceram estúpidas à partida.

25.6.10

Talvez assim fique mais fácil

Por muito que o ser humano evolua continuam sempre a existir barreiras de conversação e temo mesmo que quanto mais evoluimos, mais nos auto-sustentamos em cada minuto, mais nos fechamos, mais dormimos de olhos abertos. Acredito que seja cada vez mais difícil comunicarmos uns com os outros no sentido em que comunicar subentende uma conversa partilhada de ideias, um entendimento.

É engraçado ver como quanto mais necessidades tecnológicas satisfazemos (ou inventam que temos), mais necessidades sociais perdemos.

Correcção. Acho que errei na palavra. Não é engraçado, é triste. É estranho. Mas quando penso melhor: faz todo o sentido.


A tecnologia ensina-nos a viver melhor com nós mesmos e isso, em vez de ser um alívio, passa a ser um problema. Não entendo porquê... Páro para pensar e descubro que não estou a viver melhor comigo mesma quando ligo a TV, atendo o telemovel ou teclo desmedidamente sozinha em casa. Vivo antes ignorando-me, fingindo que estou contigo e que tu estás aqui, quando na verdade estamos a kilómetros de distância e nada disto realmente importa!

Desculpa.
Ainda estás aí? Sou viciada nesta relação vazia que construí contigo.

Esta relação de não-comunicar comigo mesma, nem contigo, levou-nos a precisar de todo o tipo de ajudas que nos dissessem que 'está tudo bem, és um ser adorável, gosto de ti'. Pois no fundo, no nosso subconsciente, sabemos que tudo pode ficar mal num segundo. A esta nossa relação faltam as bases, esquecemo-nos de as criar, saltámos a ponte. Então criámos os smiles, os bonecos e invariavelmente as imagens, sempre as imagens, para salvar a situação. As imagens lembram-nos que somos humanos, que do lado de lá está afinal um ser de carne e osso e sangue! E é preciso relembrar isso todos os dias, senão perdemo-nos de novo no não-comunicar comigo e contigo, no trocar de logotipos e lembretes e ralhetes e clichés... entre identidades virtuais.

Foi por algo tão simples e estupidamente tão fundamental que mudei a imagem do meu blog para algo mais pessoal e que esta seja entao a muleta que ajuda aos que aqui lêem entender o espírito com que escrevo desde os meus 7 anos de idade. Sim, sempre escrevi e sempre li muito. Ganhei uns quantos concursos até. Não sabías? Que foi que te disse... faltam-nos as bases.

Quando era criança achava que falar sobre pontos de vista era das coisas mais bonitas do mundo, porque havia uma partilha, uma troca, um interesse mútuo. Lembro-me de ficar contente por alguém querer saber o que eu tinha para dizer, ficar contente por alguém me deixar ouvir o que pensavam. Acho que hoje em dia é esse mesmo fascínio de criança que me faz continuar a escrever. Felizmente, nada dessa magia de entrega mútua morreu em mim, mas lamento, e entristece-me e deixa-me com vontade de me fechar como os outros... sempre que vejo que a entrega é recebida de forma menos pura quando não é enviada por uma criança. Lamento que quando adultos todas as entregas sejam julgadas, interpretadas, analisadas e etiquetadas antes mesmo de recebidas. Lamento, acima de tudo, o quanto as pessoas perdem tempo a pensar em palavras, em vez de as usarem como as sentem.

Espero que a nova imagem deste blog ajude a que se elimine essa análise complexa de entupimento mútuo (sim, porque só me atrazas quando o fazes, quebras-me o pensamento, fazes-me esquecer que tinha textos bonitos sobre o que escrever) e que possamos todos nos ler uns aos outros por aqui sem qualquer negatividade, sem qualquer maldade pre-concebida, simplesmente baseando-nos no que está lá, efectivamente, escrito.

Desejava apenas que o editor de texto também tivesse este background. Esta imagem dá-me paz.

♥ Matilda | matilda.writing@gmail.com

15 comentários:

Fábio Silva disse...

Gosto bastante deste teu texto Matilda. Senti nas tuas palavras um cansaço tremendo de tudo aquilo que andam por ai a falar, do que dizes ou deixas de dizer. Forget abou it. Não vale a pena...
Durante a nossa vida usamos várias mascaras. Somos múltiplos actores. Quando vamos a uma entrevista de emprego somos um, quando estamos com amigos somos outro. Quando estamos por detrás das teclas somos também outro.
Eu não te conheço, nem tu me conheces. Ambos conhecemos mascara que cada um de nós utilizou.
E não vale de todo a pena chatearmos-nos com uma mascara! Teorias.
P.S: Apesar do barulho, o exame correu-me bastante bem ;)

Ulisses disse...

Pá a imagem dá-te paz, mas dificulta à brava a leitura...

:)

Matilda disse...

Fábio,

Acho que és dos comentadores que melhor me entende desde o início. E de facto somos seguidores um do outro desde o início de cada blog nosso, que prazer.

Adorei ler como entendeste o cansaço nas minhas palavras. Adorei mesmo.

Um grande sorriso para ti, agora que estás ainda mais fiel á ideia das máscaras com essa nova imagem de profile. hi hi hi que escondidinho que andas, que foto sexy.

Matilda disse...

Ulisses,

Pensei nisso sabes, ainda mais porque além de ser da área das letras também sou da do design... ops... pois é... muita regra debom web design quebrada aqui.

Mas pensei, que se lixe, e a paz ganhou ;)

Daniela disse...

O mundo não é cor-de-rosa, o que é uma pena, todos os dias as pessoas "vestem" capas, e os blogues muitas vezes fazem parte da mascara que as pessoas utilizam.
Quando às vezes leio textos de mulheres/homens a falar de certos assuntos que se certas e determinadas situações faziam isto e aquilo , e depois no final se calhar nao faziam nada daquilo.
As pessoas pinto o seu mundo da maneira que querem, e o melhor para nós é ignorar.

Matilda disse...

Daniela, tens toda a razão, somos mais felizes e vivemos em mais harmonia se ignorarmos.

Mas eu sempre fui menina rebelde e cheia de genica, e hoje em dia sou mulher que ainda acha que a inactividade, o ignorar, o deixar andar, não mudam nada.

Eu ainda acredito que somos todos humanos e que todos erramos e todos caímos em certas manias e erros que com ajuda podemos eliminar.

Eu ainda acredito que quando posso melhorar algo, devo tentar, sempre.

O eufemismo disto é aquela ideia que fica que diz: 'nem sei o que é pior, as pessoas que fazem o mal, ou as pessoas que vêem o mal a ser feito e nada fazem'.

Vamos lutar por uma blogosfera mais honesta, mais simpática, nem que isso seja uma grande utopia.

A electricidade, o fogo, os telemoveis, a ida á lua... era uma utopia antes de alguém o tentar.

Obrigada pelo teu comentário Daniela. Gostei de te ler.

Ulisses disse...

Haja um sitio onde a paz ganha...

Fizetes bem. (dito mesmo assim "fizetes", à Cais do Sodre)

:)

alfa disse...

Passei por aqui Matilda, as tecnologias fazem-nos estar mais perto de quem quer que seja através da escrita, mas nada substitui o diálogo presencial, são muitos os equívocos causados pelo que lemos, porque interpretamos à nossa imagem, ...quando pessoalmente existem outros tipos de linguagem que estão presentes para além da verbal, mas também a gestual, o tom utilizado nas palavras, etc. Para além disso, não nos encontramos todos no mesmo patamar de maturidade emocional e isso, faz com que nem sempre nos consigamos entender....são tantas as causas....bjs, uma óptima semana para você.

Fábio Silva disse...

Só agora vi a tua resposta ao meu comentário Matilda. Sim, tu também, e vê como os nossos blogues cresceram. xD
Adorei as mudanças que fizeste aqui no teu espaço. Transpõe muita tranquilidade, uma boa vibe.
Quanto à minha nova foto, achei que era preciso um certo mistério... (não digas a ninguém como é que eu sou ham?)
Muitos sorrisos para ti também Matilda

Rui Caldeira disse...

Por acaso também ando um bocado de ... andar cansado. Ou seja, preferia não andar cansado, mas infelizmente ando. Pode ser que passe, muito provavelmente deve ser algum efeito secundário ou terciário das malditas vuvuzelas, não sei . . .

Lita disse...

Matilda, sem ironia, tens no meu cantinho um mimo para ti, recolhe-o quando quiseres.

http://momentos-sos.blogspot.com/2010/06/1-selo-do-blog.html

***** :)

Lita

Matilda disse...

Fábio,

Your secret is safe with me.

Mainly because I don't really know what your secret is... :P

Matilda disse...

Rui Caldeira,

Já ouvi falar tanto disso e continuo sem saber o que é... pelo que leio é qq coisa com que se faz barulho... um instrumento e sopro, talvez?

Desconfio que é coisa boa nao saber o que é e nao estar aí... eh eh eh

Matilda disse...

Já faziam cá falta umas flores já.

Obrigada Lita.

YeuxdeFemme disse...

Gosto muito da forma como escreves... :)